Retirada do dono: como definir o seu pró-labore sem sufocar o caixa da empresa
Você costuma tirar dinheiro do caixa sempre que surge uma necessidade pessoal? Entenda como definir um valor fixo para sua retirada e garanta que o seu negócio tenha fôlego para crescer com segurança e previsibilidade.
Você chega na empresa, abre o caixa e vê que tem um saldo bom. Aí lembra que a escola do filho vence amanhã ou que precisa pagar o cartão de crédito pessoal. Sem pensar muito, faz um PIX da conta da empresa para a sua conta física. O problema é que, no dia seguinte, chega o boleto do fornecedor e o dinheiro não está mais lá.
Se você trata o caixa da empresa como uma extensão da sua carteira, você não é dono, você é um refém do próprio negócio.
O erro de confundir lucro com salário
Muitos donos acham que o que sobra no fim do mês é o salário. Isso é um erro fatal. O lucro é da empresa, para reinvestir e crescer. O seu salário — o pró-labore — é um custo fixo, como a conta de luz ou o aluguel.
Se você retira valores aleatórios, você nunca saberá se sua empresa é realmente lucrativa ou se você está apenas "comendo" o capital de giro para sobreviver.
Como definir o valor certo
Para definir seu pró-labore, esqueça o que você "precisa" para manter seu padrão de vida. O foco deve ser o mercado. Quanto custaria contratar alguém para fazer o seu trabalho hoje? Esse é o valor base.
Faça o seguinte cálculo:
- Some todas as suas despesas pessoais essenciais.
- Verifique se a empresa tem margem para pagar esse valor sem atrasar fornecedores.
- Se a empresa não aguenta, ajuste seu padrão de vida ou aumente a eficiência do negócio.
Exemplo: Se o seu negócio fatura 50 mil, tem 40 mil de custos fixos e variáveis, sobram 10 mil. Se você sacar esses 10 mil, a empresa fica sem reserva para uma emergência. Defina um pró-labore de 5 mil, deixe 3 mil como reserva de segurança e reinvista 2 mil no crescimento.
O fim da sangria financeira
Ter um valor fixo traz previsibilidade. Você para de se sentir culpado ao retirar dinheiro e para de colocar o negócio em risco. Quando você separa o CPF do CNPJ, a clareza aparece. Você começa a enxergar onde o dinheiro está indo e, principalmente, onde ele pode sobrar.
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